Amir Slama retorna à SPFW com moda de pertencimento

Rodrigo Gomes (1º semestre)

Amir Slama, estilista e dono da marca com o seu nome, voltou para as passarelas após 35 anos na 60ª edição da São Paulo Fashion Week. O evento, que aconteceu no último dia 19 de outubro de 2025 com sua nova coleção praiana que põe em pauta importantíssimos temas como a Amazônia, comunidades indígenas e sustentabilidade.

O desfile trouxe a essência brasileira na moda praiana, tratando de assuntos pertinentes e sérios, mas sem perder a cor e a riqueza da brasilidade para os modelitos. A partir da parceria com a ativista indígena Txai Suruí, foram criadas as chamadas “tree”-shirts, (referência a t-shirts, de camisetas em inglês). A principal ideia é que a partir da venda das “tree”-shirts, árvores sejam plantadas no território indígena Paiter Suruí localizado em Rondônia.

A estrategista de conteúdo digital Laila Mafra entende a importância do desfile de Amir, pois a moda praia é vista como um dos grandes diferenciais brasileiros: “Eu acho que um dos pontos que acabou se perdendo era essa vontade mesmo de trazer diferentes brasilidades”, comenta. Amir Slama traz de uma forma leve à essência brasileira, mas sem perder a mensagem e o foco social principal. “Eu acho muito bonito que agora a gente tem marcas realmente pensando no Brasil para o Brasil, sabe?”, conclui.

Amir não mostra apenas a sua sensibilidade ao trazer a riqueza da essência de comunidades indígenas brasileiras para o desfile, mas a representatividade ao trazer modelos indígenas para desfilarem que marcaram o icônico desfile. A modelo indígena Dandara Queiroz é um exemplo, que atua no mercado de modelo há 5 anos e já foi recordista da SPFW, além de grande destaque, claro, para a sua abertura nesse desfile: “É maravilhoso, eu me sinto muito feliz aqui, eu me sinto viva, me sinto somando por uma boa causa”, expressa a modelo.

O desfile e a coleção mostram que a estética dentro da moda precisa trazer significados de resistência, luta, pertencimento e causas ambientais tão pertinentes para o contexto mundial vigente. Posicionamentos de comunidades indígenas para essa representatividade se mostram fundamentais, como na declaração final da modelo Dandara Queiroz: “Esse evento mudou a minha história e eu sou extremamente grata a isso”, finaliza com gratidão.

Victor Peronato, também modelo indígena, relata a sua experiência modelando para Amir Slama em sua nova coleção: “Estar aqui hoje, depois de alguns anos é muito especial para mim, desfilando para ele, que é uma imagem super importante para nós, povos indígenas”, celebra.

Fotos: Rodrigo Gomes

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