Quem faz moda para 52% dos brasileiros?

Sobrepeso da população e maior demanda por roupas de tamanho grande impulsionam mercado plus size

Mayara
Mayara Russi desfila para Maria Abacaxita Foto: Beatriz Poletto

Hoje, 52% dos brasileiros são considerados acima do peso, sendo que cerca de 30% destes têm mais de 100 quilos. Com isso, a demanda por peças de roupas de tamanho grande de qualidade e inspiradoras é alta e, cada vez mais crescente, a movimentação do mercado plus size.

De olho neste público, no último domingo de agosto, a Fashion Weekend Plus Size ganhou espaço ao lado de outros eventos da semana de moda em São Paulo. Foram exibidas, no centro de convenções do Shopping Frei Caneca, treze marcas do mercado GG, entre elas quatro masculinas e duas de acessórios.

Além dos desfiles, três palestras foram ministradas por blogueiras e pela diretora do evento, Renata Poskus. Ao Pesponto em Pauta, Renata destacou que a proposta da FWPS é favorecer a comunicação entre os todos os que compõem o mercado plus size,  facilitando processos como a regularização dos tamanhos de manequins. “Falta comunicação no mercado plus size”, diz. “O lojista precisa entender o que o cliente quer, saber que é necessário comprar produtos para o cliente e não para ele mesmo.

Victoria Nice, modelo plus size, reforça essa preocupação: “Tenho calças 42, 44 e 46, não sei dizer meu tamanho, pois não existe padrão”. “Nós, gordas, queremos vestir moda e não apenas roupas”, completa Carol Maglio, blogueira e modelo plus size.

Quem consegue atender às demandas tem alcançado bons resultados. A gerente da
grife Umen conta que a marca teve crescimento de 52% no faturamento após a inclusão da linha GG. Mais Pano , Reizz (conceito sem gênero) e Afro Style (braço da Rainha Nagô), também estiveram nas passarelas para mostrar que apostam com força neste mercado.

A Mais Pano abriu os desfiles do Fashion Weekend, seguida pela grife Maria Abacaxita, criada pela idealizadora do evento. As modelos dançaram pela passarela ao som de Jorge Bem Jor e Tim Maia. Já a Pernambucanas, única grande marca a participar do evento, preferiu uma apresentação tradicional para apresentar uma coleção comercial. A Vislumbre apresentou peças moda praia e peças íntimas com o intuito de serem usadas a mostra. A Rainha Nagô colocou o próprio estilista Diego Soares para desfilar para a marca.

Moda masculina

Criado em janeiro de 2010, o Fashion Weekend Plus Size é um marco da iniciativa do movimento plus size no Brasil. Lojistas de todo o país se encontram nesta ocasião, profissionalizando o mercado plus size a cada edição. Nesta edição de 2017 foi a primeira vez que apenas modelos masculinos posaram para a arte do convite da FWPS. O foco do evento é a mulher GG, porém, a desenvoltura do mercado plus masculino levou a diretora Renata Poskus a eleger os modelos Otávio Janecke, Umberto Fontalon Filho, Maykon Alves Sales e Marcelo de Oliveira para capa do Fashion Weekend.

Otávio Janecke foi um dos pioneiros como blogueiro plus size. “Com esse movimento, grandes marcas procuram modelos plus para fazerem campanhas e introduzirem suas linhas no mercado“, afirma. A grande demanda e os movimentos do público GG, como o Fashion Weekend Plus Size e o Pop Plus, estão criando uma visibilidade para esse mercado que antes não existia.

Palestras

Ju Romano
Mel Soares, Natália Nascimento e Ju Romano em palestra sobre as marcas plus size. Foto: Beatriz Poletto

A primeira palestra “Talk com blogueiras – O que elas esperam das marcas e lojas?” foi apresentada pelas influencers Juliana Romano, Mel Soares e Natália Nascimento. As peças de roupas produzidas pelo mercado e a falta de divulgação no universo GG estiveram em pauta. A ausência de opções de lojas também proporcionou debate entre as palestrantes e os lojistas.

Questionada pelo Pesponto em Pauta sobre o evento coincidir com o primeiro dia de SPFW, Renata afirma que foi um acaso. As blogueiras comentaram sobre a exclusão que o universo plus size sofre na São Paulo Fashion Week. “Ainda não existe total inclusão na moda brasileira”, constata Juliana Romano.

Ela apontou ainda que existe apenas uma loja plus size para cada estilo possível de mulher, tornando a consumidora uma escrava da marca. “Tamanhos especiais sim, mas não esqueçam que somos mulheres”, lamenta Mel Soares em relação à falta de opções de peças sexys na linha GG.

Por Beatriz Poletto
Edição Manuela Nogueira