Dois “mundos da moda” distintos?

As referências de moda e consumo de São Paulo percorrem tanto o bairro do Brás – na região central da cidade, com suas lojas e shoppings populares – quanto os Jardins – na Zona Sul da capital paulista, que abriga na rua Oscar Freire e em seu entorno grifes internacionais que dominam o mundo fashion. Essencialmente tão distantes, os endereços estão a apenas nove quilômetros um do outro. O primeiro deles atende a uma grande quantidade de consumidores, com produtos que têm no preço baixo seu maior atrativo. No outro, há o domínio de tendências e lançamentos em suas luxuosas vitrines.

A Associação de Lojistas do Brás afirma que há uma circulação de 300 mil pessoas por dia no local. São mais de 5 mil lojas ativas, divididas entre atacado e varejo. Cleide Silva, que veio de Fortaleza, está entre os consumidores que desfrutam desses benefícios do bairro. “Vim por indicação da minha amiga que mora em São Paulo e disse que aqui havia muita variedade com preços bons. E eu realmente gostei bastante”.

O Brás é também o maior produtor e exportador de jeans da América Latina e produz cerca de 10 milhões de calças jeans por mês. Conta com lojas voltadas às tendências de consumo que atendam à população brasileira influenciada diretamente pela programação televisiva aberta, já que oferece muitas roupas semelhantes às usadas por personagens de novela.

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Lançamentos atraem público em lojas de marcas renomadas. Foto: Divulgação

Por sua vez, a Oscar Freire é composta por lojas de grifes mundialmente conhecidas e por um ambiente que sustenta e completa sua elegância. As marcas Mont Blanc, H Stern, Calvin Klein, Louis Vuitton, os conceituados restaurantes Italy e Empório Frutaria e a confeitaria Carlo’s Bakery transformam o bairro em um luxuoso shopping a céu aberto. Ali há bancos nas calçadas em frente às lojas e até mesmo tigela de água para cães. “Nós amamos a facilidade de acesso a todas as marcas e o rápido lançamento de coleções”, disse a cliente Rafaela Oliveira.

Para manter o conforto do ambiente, a Oscar Freire conta com alta segurança privada contratada pelos lojistas e com a 78ºDP que fica a poucas quadras. Enquanto no Brás, a fiscalização é pouca e falha, ocorrendo diversos furtos e roubos que caracterizam o bairro como perigoso. Já o seu acesso é facilitado devido à proximidade da estação de metrô e trem Brás presente na linha vermelha e na CPTM. A Oscar Freire sempre teve seu acesso dificultado em razão da reduzida oferta de transporte público, que poderá começar a mudar com a chegada do metrô à região.

As diferenças ocorrem em questão de segurança pública, acessibilidade de transporte ou até mesmo conforto. Mas há um ponto em que o público de ambos os bairros concorda: os preços dos produtos podem ser muito altos. O vendedor Robson Azevedo, que trabalha na Lojão do Brás, comenta o cenário econômico atual. “Creio que, devido à crise no país, os preços dos produtos estão muito altos; não condizem com os problemas que estamos enfrentando, como o baixo salário”, disse. Para Jonatas Nogueira, um frequentador da Oscar Freire, os preços são muito exorbitantes. “São lojas conceituais que mostram para todo mundo que a Oscar Freire é uma das ruas mais importantes do mundo em moda e o bairro posta conceito. Os preços acompanham essa exclusividade” conclui.

Por Ana Paula Oliveira, Isabelle Bulla e Maria Victoria Brizzi

Edição: Larissa Kazumi