Moda e literatura

A diversidade do cosplay – um hobby por meio do qual os participantes se fantasiam de personagens fictícios da cultura pop – dialoga diretamente com a moda. E a criatividade para se vestir ganha asas quando os cosplayers unem seu hobby à literatura. Foi assim que a Bienal do Livro se tornou uma passarela de personagens para as mais variadas combinações de cores e design.

Os motivos para usar a fantasia são diversos, mas o principal é homenagear os personagens. Como é o caso da Camila Mendes, estudante de design, que representou uma personagem de um livro O conto de Aia, que inspirou a série ganhadora de diversos prêmios entre eles Emmy e Globo de ouro. “Meu cosplay da Aia representa um protesto do que as mulheres passam na série, que, por sua vez, reflete o que enfrentamos na sociedade de uma forma velada”, diz a jovem.

Para Giovanna Silva e Jennifer Santos, que estavam representando o anime Kuroshitsuji, a moda está presente no cosplay de diferentes maneiras. Jennifer, por exemplo, usava fantasia da era vitoriana, um período no qual, segundo ela, as possibilidades do vestir abusavam do estilo.

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À direita, Giovanna como Grell Sutcliff e, à esquerda, Jennifer como Lady Ciel. Foto: Isabelle Bulla

Existem dois tipos de cosplayers, o adotado por pessoas que fazem a roupa com aquilo que já têm no armário, e um outro tipo de montação, que é mais profissional, no qual são encomendadas tanto roupas sob medida quanto objetos que complementam o look.

De acordo com Guilherme Martins, que trabalha com marketing e também é adepto do cosplay, a moda vai muito além do tradicional, de roupas chiques e caras. “Por exemplo, usar roupas geeks também é moda. Hoje mais pessoas têm acesso à cultura pop e consomem entretenimento”, diz.

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Para Guilherme Martins, que trabalha com  marketing, representar um personagem também é moda. Foto: Isabelle Bulla

 

 

Por Isabelle Bulla