Nu artístico plus size

Trabalho da fotógrafa Cristina Santos busca quebrar estereótipos e ampliar referências de beleza

“Eu sempre gostei do contra”. Foi assim que a fotógrafa Cristina Santos, de 29 anos, atuante do interior de São Paulo, explicou porque começou a fazer ensaios nu artísticos com modelos consideradas fora do padrão estético imposto pela sociedade, consideradas plus size.

Cristina descobriu a fotografia quando, ao crescer, notou que não havia fotos de sua infância para relembrar os velhos momentos: “Não tinha fotos minhas reveladas ou então em álbuns, se tinha eram uma ou duas, então eu não sei como eu era quando criança. Por isso não posso sentar em família, ver álbuns, relembrar algo com nostalgia. Eu escolhi a fotografia por isso, ela congela o momento.”

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Fotógrafa Cristina Santos durante evento no interior de São Paulo
Foto: Vinicius Silva

Ela contou ao Pesponto que sua infância e adolescência foram difíceis em relação ao seu corpo. Por ter seios grandes, muitas vezes era deixada de lado e não se encaixava em nenhum grupo de amigas. Não se via como as “lindas”, nem como as “magras” ou as “engraçadas”. Começou desenvolveu a partir daí seu amor pelo nu artístico plus size. Ela cita alguns questionamentos que fazia no começo de sua carreira, como por exemplo, “por que as gordinhas não podem se achar bonitas? Por que as gordinhas não podem fazer nu? Não podem se fotografar? Não podem se olhar? Não podem gostar das suas curvas? E até mesmo fazer as mesmas poses que as magras?”

A fotógrafa conta que as modelos que fotografou até hoje sempre a procuraram. Ela explica também que seu trabalho chama bastante atenção simplesmente pelo fato de ser algo fora do padrão dos outros profissionais da área.

fotografa 2Anrryeli Carol posando para as lentes de Cristina durante ensaio

fotografa 3Ana Souza durante ensaio nu artístico, por Cristina Santos

Como conselho para aquelas mulheres que não conseguem se amar como são e têm dificuldades com autoestima, Cristina Santos as encoraja a procurar um fotógrafo, a confiar em si mesma e no profissional que escolheu, afinal, elas têm este corpo e precisam amá-lo profundamente.

Por: Maria Victória Brizzi Fontana